Legislação – Eurocódigo 8

EUROCÓDIGO 8

EN 1998 – Eurocódigo 8

A actual regulamentação portuguesa de estruturas (RSAEEP) em breve será substituída por normas europeias, que visam unificar os critérios e normativas de cálculo e dimensionamento de estruturas, os Eurocódigos (EN 1998-1:2004).

Existem 10 Eurocódigos que cobrem os aspectos relacionados com a segurança, definição das acções em estruturas, questões geotécnicas, dimensionamento e pormenorização de estruturas de acordo com os materiais utilizados (betão, aço, mistas aço-betão, madeira, alvenaria e alumínio).

Cada Eurocódigo é acompanhado de um Anexo Nacional que contém os Parâmetros de Determinação Nacional (NDPs – Nationally Determined Parameters, no original em inglês) (Lopes, 2008), permitindo às Autoridades Nacionais adaptar os documentos à realidade nacional.

Os diversos estudos de perigosidade que se têm registado ao longo dos anos permitiram assim criar um novo zonamento sísmico do território nacional (zonas onde a acção sísmica se sente de forma diferenciada) que é estabelecido por concelho. Este zonamento permite, em projecto, caracterizar de forma simples os tipos de sismos para os quais as construções devem ser preparadas para resistir.

Como referido, Portugal tem dois tipos de sismos, os que ocorrem a grandes distâncias (interplacas) e os que têm origem próxima (intraplacas).

A acção sísmica Tipo 1

Diz respeito ao “sismo afastado”, ou seja, um sismo de maior magnitude a uma maior distância focal (cenário de geração interplacas).


Zonamento sísmico em Portugal Continental considerado no Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1) e o Anexo Nacional (2009)

A acção sísmica Tipo 2

Representa o “sismo próximo” – sismo de magnitude moderada e pequena distância focal (cenário de geração intraplacas).

A cada tipo de acção está associada o zonamento sísmico tal como se apresenta nas Figuras.

No arquipélago da Madeira

Apenas é necessário considerar a acção sísmica Tipo 1.


Zonamento sísmico no arquipélago da Madeira considerado no Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1) e o Anexo Nacional (2009)

No arquipélago dos Açores

Considera-se a acção sísmica Tipo 2.


Zonamento sísmico no arquipélago dos Açores considerado no Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1) e o Anexo Nacional (2009)

REGULAMENTO DE SEGURANÇA E ACÇÕES PARA
ESTRUTURAS DE EDIFÍCIOS E PONTES (RSAEEP)

A par com as principais normas europeias, surge em 1983 o Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA, 1983) que classifica e quantifica os diferentes tipos de acções e combinações destas que interessam ao dimensionamento de estruturas (edifícios e pontes).

Este regulamento é o que actualmente vigora em Portugal. A acção sísmica considerada é determinada por métodos de análise dinâmica, admitindo também uma análise por um sistema de forças estáticas horizontais para casos de geometria bem definidos. Relativamente ao dimensionamento, este é feito considerando o comportamento não linear das estruturas, seguindo para este efeito a seguinte metodologia:

    • efectuar uma análise elástica linear da estrutura;
    • dividir os esforços obtidos na análise elástica pelo coeficiente de comportamento, adequado ao tipo de estrutura, considerando assim o comportamento não linear dessa estrutura;
    • verificar a segurança da estrutura para os esforços obtidos.

O RSAEEP considera o território português dividido em quatro zonas sísmicas: A, B, C e D, por ordem decrescente de perigosidade sísmica quantificada pelo coeficiente de sismicidade α igual a 1; 0,7; 0,5 e 0,3, respectivamente. Considera ainda dois tipos de acção sísmica: acção Tipo 1 para sismos de moderada magnitude e a pequena distância focal (cenário de geração intraplacas) e Tipo 2, respeitante aos sismos de maior magnitude e a maior distância focal (cenário de geração interplacas). Finalmente, o presente regulamento tem em conta três tipos de terreno:

    • Tipo I: rochas e solos coerentes rijos,
    • Tipo II: solos coerentes muito duros, duros e de consistência média; solos incoerentes compactos e,
    • Tipo III: solos coerentes moles e muito moles; solos incoerentes soltos.

O valor da acção sísmica e o zonamento do território foram definidos através de estudos de perigosidade (Oliveira, 1977) e, para facilitar as aplicações, fez-se coincidir os limites das zonas com os limites dos concelhos. Comparativamente com o que mais tarde se foi conhecendo, a influência dos tipos de solo na acção sísmica definidos neste regulamento era demasiado ligeira, quando comparada com regulamentos mais recentes.


Zonamento sísmico de Portugal Continental de acordo com o RSAEEP Fonte: RSA, 1983

O artigo 28º do presente Regulamento estabelece que as ilhas do arquipélago dos Açores são incluídas na zona A, com excepção das ilhas das Flores e do Corvo que, conjuntamente com as do arquipélago da Madeira, são incluídas na zona D.

Referências:
Texto retirado de Ferreira, M.A. (2012). Risco sísmico em sistemas urbanos. Tese de Doutoramento. Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa. 295 pp.

Anexo Nacional do EC8 (2009). Documento de trabalho da CT115, LNEC, Lisboa, Fevereiro.

EN 1998-1 (2004). Eurocode 8: Design of structures for earthquake resistance – Part 1: General rules, seismic actions and rules for buildings. CEN, Bruxelas, Bélgica, November.

Lopes, M. (2008). Em: Lopes, M. (Ed.) – Sismos e edifícios. Edições Orion. 760 pp.

Oliveira, C.S. (1977). Sismologia, sismicidade e risco sísmico. Aplicações em Portugal. Relatório. Lisboa: Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

RSA (1983). Regulamento de segurança e acções para Estruturas de edifícios e pontes. Decreto-Lei n.º 235/83 de 31 de Maio e Decreto-Lei n.º 357/85 de 2 de Setembro. Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa.